As instituições financeiras associadas à Federação Brasileira de Bancos (Febraban) começaram nesta segunda-feira a adotar medidas mais rigorosas para identificar, bloquear e encerrar contas laranja e de apostas online operando de forma ilegal no país. A entidade reforçou sua postura diante do aumento de golpes digitais e esquemas de lavagem de dinheiro, visando fortalecer a segurança do sistema financeiro.
Com as novas regras, bancos e fintechs passam a responder de forma padronizada e mais eficiente ao crescente número de fraudes e contas utilizadas para fins ilícitos. O objetivo é conter transações suspeitas e proteger tanto usuários quanto o próprio mercado diante dos recentes ataques cibernéticos.
Confira, a seguir, os detalhes das mudanças e como elas afetam clientes e instituições.
O que você vai ler neste artigo:
O novo acordo de autorregulação da Febraban exige que todos os bancos adotem procedimentos internos para verificar e encerrar contas laranja — aquelas abertas por pessoas que ‘emprestam’ seus dados para terceiros — e contas frias, abertas sem o conhecimento do titular. Também será obrigatória a identificação rápida e o bloqueio de contas ligadas a casas de apostas virtuais não autorizadas pelo governo federal.
Além disso, bancos precisam garantir a atuação conjunta de equipes de prevenção a fraudes, compliance, jurídica e ouvidoria.
Leia também: Vazamento de 183 milhões de logins de e-mail: entenda as causas e como se proteger
Para garantir o fiel cumprimento das normas, casos de descumprimento podem resultar em punições gradativas, desde a exigência de ajuste imediato de conduta, passando por advertências, até a exclusão do sistema de autorregulação da Febraban. As instituições também devem apresentar relatórios de conformidade produzidos por áreas independentes, como auditoria ou compliance.
De acordo com a Febraban, as novas regras são uma resposta à explosão de crimes digitais envolvendo contas bancárias de pessoas físicas e jurídicas. A regulamentação também busca dar mais transparência ao processo de bloqueio, evitando que clientes legítimos sejam prejudicados e garantindo o direito à informação sobre cada movimentação suspeita registrada em seus perfis bancários.
Leia também: Amazon realiza grande corte de 14 mil empregos para focar em Inteligência Artificial
O endurecimento das medidas ocorre num momento em que o país enfrenta sucessivos escândalos e crimes digitais. Operações como a Carbono Oculto, deflagrada pela Polícia Federal, revelaram o uso de postos de combustíveis e contas bancárias para movimentar recursos ilícitos, parte de grandes esquemas de lavagem de dinheiro ligados a organizações criminosas.
Incidentes recentes com empresas terceirizadas de tecnologia, usadas por bancos, também destacaram fragilidades no controle de dados e movimentação de valores. O presidente da Febraban, Isaac Sidney, frisou que nenhum banco ou fintech pode ignorar a obrigação de coibir contas fraudulentas, sob pena de colocar todo o ecossistema financeiro em risco.
Entre as instituições que integram as novas regras estão: Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Itaú Unibanco, Bradesco, Santander, bancos regionais e internacionais presentes no Brasil. Todas as ações serão monitoradas de perto pela Febraban, que poderá agir rapidamente frente a qualquer irregularidade identificada.
Para os clientes, as principais consequências são: maior vigilância sobre alterações não autorizadas em suas contas, comunicação rápida sobre encerramentos administrativos e ampliação das campanhas para conscientização sobre golpes bancários.
Leia também: Balanços 3T25: O Que Esperar dos Resultados de BB, Itaú, Santander e Bradesco
A postura mais rígida da Febraban marca uma convergência das iniciativas públicas e privadas, demonstrando que o combate ao uso indevido do sistema bancário é prioridade para todo o setor. Para quem busca segurança e transparência no relacionamento com bancos, as novidades trazem maior confiança nas operações financeiras diárias.
Gostou de saber mais sobre o novo posicionamento da Febraban no combate às contas laranja e apostas ilegais? Não deixe de se inscrever em nossa newsletter para receber atualizações e informações exclusivas sobre segurança bancária e novidades do mercado financeiro diretamente no seu e-mail.
Conta laranja é aquela aberta por uma pessoa que empresta seus dados para terceiros utilizarem de forma irregular ou para práticas ilícitas.
A Febraban padroniza e aprimora regras para que bancos identifiquem rapidamente contas suspeitas, bloqueiem transações ilegais e comuniquem os clientes e órgãos reguladores.
As punições vão desde ajustes imediatos de conduta, advertências, até a exclusão do banco do sistema de autorregulação da Febraban.
Os titulares recebem comunicação oficial sobre o bloqueio ou encerramento administrativo das contas, garantindo transparência no processo.
Bancos como Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Itaú Unibanco, Bradesco, Santander, além de bancos regionais e internacionais presentes no Brasil, seguem essas novas regras.