O aumento intenso das temperaturas coloca a saúde da América Latina em alerta máximo: um estudo recente aponta que até 2054 as mortes causadas pelo calor extremo podem mais do que dobrar na região. Segundo especialistas, idosos, pessoas em situação de vulnerabilidade social e portadores de doenças crônicas formam o grupo mais exposto ao perigo, diante de um cenário que combina aquecimento global, falta de infraestrutura urbana adequada e envelhecimento populacional.
Neste artigo, você entenderá as projeções alarmantes desse estudo, conhecerá os recortes detalhados para o Brasil e verá que tipo de ações já estão em andamento ou precisam ser implantadas para evitar uma tragédia ainda maior. Continue a leitura para saber como o calor pode impactar a vida de milhões de latino-americanos nos próximos anos.
O que você vai ler neste artigo:
Os dados divulgados pelo projeto Salurbal-Clima, publicados na revista Environment International, mostram que o calor, atualmente responsável por cerca de 0,87% das mortes em países latino-americanos, pode chegar a representar até 2,06% dos óbitos em cenários de aquecimento entre 1°C e 3°C, somados ao envelhecimento da população. O levantamento analisou registros de 326 cidades em nove países, incluindo os principais centros urbanos do Brasil.
O professor Nelson Gouveia, especialista da USP, alerta: “O impacto das altas temperaturas nas mortes é apenas uma amostra do efeito devastador do calor — há ainda o agravamento de infartos, insuficiência cardíaca e crises respiratórias, sobretudo entre pessoas idosas ou já acometidas por doenças.” Situações socioeconômicas críticas, falta de vegetação, moradias precárias e ausência de ventilação adequada ampliam o risco, especialmente em bairros periféricos das grandes cidades.
Leia também: WhatsApp deixará de funcionar em celulares antigos: veja modelos afetados na atualização de 2025
O estudo indica que o Brasil segue a tendência regional de aumento nas mortes por calor, impulsionada por dois fatores principais: o envelhecimento acelerado da população e a urbanização desordenada. Dados do IBGE e do Sistema de Informações sobre Mortalidade do DataSUS apontam que o contingente de pessoas com mais de 65 anos crescerá de forma expressiva até 2054, tornando esse segmento ainda mais vulnerável.
O fenômeno das ilhas de calor — causado pelo excesso de concreto, deficiência de áreas verdes e má circulação do ar — é um dos agravantes nas metrópoles brasileiras, elevando ainda mais as temperaturas nos bairros mais pobres e densamente habitados. Sem acesso à climatização adequada, moradores dessas áreas têm risco aumentado de sofrer consequências graves durante as ondas de calor que têm se tornado cada vez mais comuns.
Leia também: iPhone 17 impulsiona vendas e supera expectativas na China em 2025
Apesar do prognóstico preocupante, os pesquisadores indicam que ainda há tempo para reverter parte desse panorama. Entre as principais soluções apontadas para a América Latina estão:
No Brasil, algumas cidades já vêm adotando boas práticas. Exemplo disso é o Rio de Janeiro, que possui planos específicos para proteger grupos de risco durante episódios de forte calor, incluindo pontos de hidratação e protocolos diferenciados de acompanhamento médico para a população idosa.
A pesquisa é parte da iniciativa Salurbal-Clima, que reúne universidades e institutos de pesquisa de nove países latino-americanos — entre eles Argentina, México, Chile e Brasil — em parceria com instituições dos Estados Unidos. O objetivo, segundo os organizadores, é não apenas monitorar o avanço das mudanças climáticas e seus efeitos na saúde, mas embasar o desenvolvimento de políticas públicas eficazes, que possam proteger as populações mais fragilizadas das tragédias previstas para as próximas décadas.
Com ações integradas entre governos, setores da saúde e a sociedade, há possibilidade real de salvar milhares de vidas e reduzir o impacto das temperaturas extremas nas cidades latino-americanas.
Leia também: Fortaleza tem duas apostas premiadas na Mega-Sena e bolão fatura mais de R$ 240 mil
O desafio das mudanças climáticas e o crescimento dos eventos de calor extremo exigem respostas rápidas e efetivas. Para quem mora em grandes cidades, especialmente em regiões periféricas, adaptar o ambiente urbano e promover a proteção social é urgente. O combate ao aumento das mortes por calor na América Latina, em especial entre a população idosa, passa tanto por inovação quanto por justiça social e compromisso coletivo.
Se você chegou até aqui e considera esse tema relevante, aproveite para se inscrever na nossa newsletter e receber análises exclusivas, notícias apuradas e conteúdos essenciais sobre saúde e clima diretamente no seu e-mail.
O envelhecimento populacional eleva a vulnerabilidade da sociedade às altas temperaturas, pois idosos possuem maior susceptibilidade a problemas cardíacos e respiratórios decorrentes do calor extremo.
A falta de áreas verdes, o excesso de concreto, a má ventilação e a urbanização desordenada intensificam o fenômeno das ilhas de calor, aumentando a temperatura local e o risco para moradores de regiões periféricas.
Implementar sistemas de alerta, desenvolver planos de emergência, ampliar áreas verdes, promover campanhas de conscientização e adaptar protocolos de saúde pública são medidas essenciais para reduzir os impactos do calor.
Políticas públicas adaptadas garantem proteção efetiva a grupos vulneráveis, viabilizam planejamento urbano sustentável e fortalecem a capacidade do sistema de saúde para casos de emergência causados pelo calor.
O Salurbal-Clima reúne pesquisas e dados de vários países latino-americanos para monitorar efeitos do aquecimento global e apoiar a criação de políticas públicas focadas na saúde e proteção das populações mais vulneráveis.