As vendas do varejo brasileiro voltaram a subir em agosto, quebrando uma sequência de quatro meses seguidos de quedas. O novo relatório do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indica que, apesar do avanço discreto, o cenário ainda inspira atenção: a política monetária continua restrita e o consumo sente os efeitos dos juros elevados.
Segundo os dados oficiais publicados pelo IBGE, o aumento foi de 0,2% em relação a julho, exatamente dentro das projeções feitas por economistas. Em comparação a agosto do ano passado, o crescimento registrado foi de 0,4%. Os números sugerem que, mesmo com estabilidade no consumo, o segmento mantém certa resiliência diante do contexto econômico desafiador.
O que você vai ler neste artigo:
O tímido crescimento nas vendas acompanha um cenário de oscilações pequenas ao longo de 2025. Desde o início do ano, o varejo brasileiro tem registrado altos e baixos mês a mês, posicionando as variações sempre abaixo de 1%. Esse comportamento reflete o delicado equilíbrio entre uma taxa de juros Selic ainda alta, atualmente em 15%, e a força do mercado de trabalho, que se mantém aquecido.
Nesse contexto, muitos consumidores continuam cautelosos, limitando compras parceladas ou de maior valor agregado. O crédito restrito impacta diretamente setores sensíveis à renda e à confiança dos compradores.
Leia também: Bloqueio de R$ 700 milhões em bens revela fraudes bilionárias contra aposentados
Leia também: Dia dos Professores 2025: frases inspiradoras para homenagear educadores hoje
O IBGE analisou oito segmentos do varejo, dos quais cinco apresentaram resultado positivo no mês de agosto. O maior salto ocorreu em equipamentos e material para escritório, informática e comunicação, que disparou 4,9%, impulsionado pela queda do dólar frente ao real – a moeda americana teve desvalorização de 3,18% durante o mês, tornando produtos importados mais acessíveis.
Confira os desempenhos em destaque, segundo o levantamento do IBGE:
Na outra ponta, três setores fecharam o mês em terreno negativo. Os maiores recuos vieram de livros, jornais, revistas e papelaria (-2,1%), combustíveis e lubrificantes (-0,6%) e outros artigos de uso pessoal e doméstico (-0,5%).
O varejo ampliado, que engloba não só os tradicionais setores de venda ao consumidor, mas também veículos, motos, material de construção e o atacado de alimentos e bebidas, apresentou um desempenho diferenciado. As vendas cresceram 0,9% em relação a julho, mostrando fôlego extra para segmentos específicos. Porém, no comparativo anual, houve recuo de 2,1%, evidenciando os desafios contínuos na recuperação do comércio.
O gerente da pesquisa do IBGE, Cristiano Santos, destacou que o desempenho de itens importados, como os de informática, foi diretamente afetado pelo cenário cambial do mês. A retração do dólar favoreceu a aquisição desses produtos, enquanto outros setores continuam sob pressão devido ao crédito caro e à desaceleração do consumo das famílias.
Leia também: Capacitação do Cadastro Único e Bolsa Família avança em Brumado
Apesar dos sinais de retomada, o setor varejista brasileiro ainda enfrenta incertezas relacionadas à política econômica, inflação e cenário internacional. Especialistas apontam que, caso as taxas de juros permaneçam altas, a recuperação mais robusta pode demorar a acontecer.
O avanço das vendas no varejo em agosto acende esperança para lojistas e consumidores quanto à estabilidade no setor, mas também reforça a necessidade de monitoramento dos fatores macroeconômicos. Se você se interessa por análises detalhadas sobre economia e tendências do consumo, inscreva-se em nossa newsletter e receba novidades exclusivas diretamente no seu e-mail.
Os setores com maior crescimento foram equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (4,9%), tecidos, vestuário e calçados (1,0%) e artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria (0,7%).
Juros altos elevam o custo do crédito, tornando empréstimos e compras a prazo mais caros, o que reduz o poder de compra e faz os consumidores se tornarem mais cautelosos nas compras, especialmente as parceladas e de maior valor.
A desvalorização do dólar torna produtos importados mais baratos no mercado interno, favorecendo o aumento das vendas nesses segmentos, como aconteceu em agosto com uma queda de 3,18% na moeda americana.
O varejo ampliado inclui vendas de veículos, motos, material de construção e atacado de alimentos e bebidas, além do varejo tradicional. Em agosto, apresentou crescimento de 0,9%, mas caiu 2,1% no comparativo anual.
Os desafios incluem juros elevados, crédito restrito, inflação persistente e incertezas no cenário econômico internacional, que limitam o consumo e a recuperação robusta do setor.