A prévia da inflação, medida pelo IPCA-15, registrou aumento de 0,48% em setembro de 2025, retornando ao campo positivo após recuo no mês anterior. O dado foi divulgado nesta quinta-feira (25) pelo IBGE e surpreendeu ao vir levemente abaixo das projeções do mercado financeiro.
O IPCA-15 acumula agora alta de 3,76% no ano, enquanto nos últimos 12 meses sobe 5,32%. A expectativa, segundo analistas consultados pela Reuters, era de um avanço de 0,51% em setembro e de 5,36% nos 12 meses. O movimento mostra pressões persistentes em alguns segmentos, com a energia elétrica despontando como o principal vilão do mês.
Entenda, a seguir, os principais fatores que pesaram sobre o índice, os setores que se destacaram em alta ou queda e os possíveis efeitos da inflação sobre a política de juros do país.
O que você vai ler neste artigo:
O destaque entre os componentes do índice ficou por conta do grupo Habitação, que apresentou avanço expressivo de 3,31% em setembro. O principal fator foi a alta de 12,17% nas tarifas de energia elétrica residencial. A disparada reflete o fim do desconto concedido com o Bônus de Itaipu, repassado anualmente após a apuração do saldo da comercialização da energia da usina binacional.
No mês anterior, o setor de habitação havia registrado recuo de 1,13%, puxado ainda pela queda de 4,93% nas contas de luz. No entanto, em setembro voltou-se a cobrar a bandeira tarifária vermelha patamar 2, encarecendo o consumo em R$ 7,87 para cada 100 kWh.
Outros grupos também registraram alta, com destaque para:
Esses avanços mostram que, apesar da pressão concentrada em habitação, alguns serviços e bens continuam com trajetória ascendente, puxados por reajustes sazonais e demandas específicas.
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Apesar do aumento da inflação geral, alguns componentes do IPCA-15 trouxeram alento para o consumidor em setembro. O grupo Alimentação e bebidas teve deflação de -0,35%, impactado por quedas nos preços de itens como tomate (-17,49%), cebola (-8,65%), arroz (-2,91%) e café moído (-1,81%). Alimentos consumidos em casa caíram 0,63%.
O segmento de Transportes caiu -0,25%, puxado pela redução de 2,61% nas passagens aéreas e recuo nos preços dos combustíveis (-0,10%). Veja os principais destaques:
| Combustível | Variação (%) |
|---|---|
| Gás veicular | -1,55 |
| Gasolina | -0,13 |
| Óleo diesel | +0,38 |
| Etanol | +0,15 |
Outros grupos como Artigos de residência (-0,16%) e Comunicação (-0,08%) também tiveram queda, indicando baixa pressão inflacionária nesses setores.
O cenário inflacionário segue chamando atenção do Banco Central, que optou, na última semana, por manter a taxa Selic em 15% ao ano. A ata do Copom sinalizou que a taxa básica deve permanecer inalterada por período prolongado, até que se observe convergência da inflação à meta de 3%.
Segundo o BC, a inflação permanece acima da meta e as expectativas do mercado seguem desancoradas. A previsão oficial é de que o índice se aproxime do centro da meta apenas no primeiro trimestre de 2028. Analistas consultados pelo Boletim Focus estimam fechamento da inflação em 4,83% neste ano, mantendo a Selic em 15%.
O avanço do IPCA-15 em setembro reforça a necessidade de cautela da autoridade monetária e pode se refletir na manutenção de juros elevados por mais tempo, impactando crédito, consumo e investimentos.
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O comportamento do IPCA-15 neste mês reforça preocupações com o controle inflacionário, principalmente após a alta expressiva na energia elétrica. O acompanhamento periódico do índice é fundamental para consumidores e investidores que buscam se planejar em um cenário econômico ainda incerto.
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O IPCA-15 reflete a variação dos preços de bens e serviços, indicando o nível de inflação. Quando o índice sobe, o custo de vida aumenta, impactando diretamente o poder de compra dos consumidores.
A alta nas tarifas residenciais, especialmente após o fim do desconto do Bônus de Itaipu e a cobrança da bandeira vermelha patamar 2, aumentou significativamente o custo da energia, pressionando a inflação naquele mês.
O IPCA-15 é uma prévia do IPCA, calculado com base nos preços até o dia 15 do mês, fornecendo uma estimativa antecipada da inflação oficial medida pelo IPCA, que considera o mês completo.
O Banco Central monitora o IPCA-15 para avaliar a trajetória da inflação. Se o índice indicar alta persistente, o BC pode manter ou aumentar a taxa Selic para controlar a inflação e evitar desequilíbrios econômicos.
Alimentos e bebidas, transportes, artigos de residência e comunicação registraram queda nos preços, proporcionando um alívio na inflação geral no período.