O preço do café para o consumidor brasileiro avança mais uma vez e promete pesar ainda mais no orçamento das famílias em outubro de 2025. Dados da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic) alertam que os valores vão subir entre 10% e 15% nos supermercados, resultado direto da escassez global do produto e do cenário climático desafiador para os agricultores.
No mês de agosto, o preço médio do quilo do café tradicional atingiu o valor recorde de R$ 62,83 — uma diferença superior a R$ 20 quando comparado ao mesmo mês do ano anterior. As previsões indicam que esse cenário deve perdurar até o início do próximo ano, quando se espera uma possível redução nos preços.
Saiba, a seguir, o que está por trás da alta histórica, como o brasileiro está se adaptando e as perspectivas para o café nas gôndolas a partir de 2026.
O que você vai ler neste artigo:
O aumento expressivo no preço do café tem raízes na queda dos estoques globais, registrados como os menores da história. Conforme divulgado pela Abic, a produção de grãos foi impactada negativamente desde 2021 devido a variações climáticas significativas, como chuvas irregulares e tempestades. Essas mudanças, sobretudo, afetam a safra do café arábica, uma das preferidas do consumidor nacional e essencial para a mistura tradicional das indústrias.
Com a oferta global reduzida, a lei da oferta e demanda impulsiona um aumento nos preços de toda a cadeia: desde a saca na fazenda até o valor final nas prateleiras dos supermercados.
Segundo projeções do setor, um quadro climático favorável em 2026 deve colaborar para a recomposição dos estoques internacionais. Contudo, até lá, os consumidores precisam se preparar para preços elevados. A expectativa é que, com chuvas e temperaturas mais estáveis, colheitas melhores tragam alívio ao bolso dos brasileiros.
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Mesmo com o salto nos valores, o café segue presente no lar brasileiro, mas de forma mais estratégica. Desde janeiro de 2025, houve retração de 5,41% no consumo interno, conforme medição da Abic. Também se observou um movimento dos consumidores migrando para categorias de café mais acessíveis, sem abrir mão da bebida: 97% das casas continuam consumindo café.
| Mês/Ano | Preço Médio (R$ kg) | Variação Anual (%) |
|---|---|---|
| Agosto 2024 | R$ 42,30 | — |
| Agosto 2025 | R$ 62,83 | +48,6 |
Fonte: Abic
A opção por versões mais baratas do produto e a redução da quantidade consumida são estratégias comuns entre famílias que buscam economizar sem deixar de lado o tradicional cafezinho. Vale lembrar que, historicamente, o café é um dos itens mais populares nas mesas de todo o país.
Nos bastidores do comércio exterior, há esperança de uma trégua nas tarifas impostas pelos Estados Unidos à importação do café brasileiro. Após conversas políticas de alto nível entre Brasil e EUA, cresce a expectativa por uma redução, ou até isenção, das taxas de exportação atuais — fator que pode repercutir positivamente no mercado nacional.
A última análise do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) indicou queda de 26% no volume exportado para os EUA entre julho e agosto, diretamente associada ao chamado ‘tarifaço’. Caso as negociações avancem, o alívio nas tarifas pode contribuir não só para o aumento das exportações, mas também para uma estabilização dos preços por aqui.
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Enquanto isso, nos Estados Unidos, o café também atinge valores históricos, chegando a custar mais de R$ 100 o quilo, conforme dados do Federal Reserve Economic Data (FRED).
Com a trajetória de alta dos preços e os impactos diretos no bolso do consumidor, o café se mantém como tema relevante na pauta econômica nacional. De olho em possíveis acordos internacionais e na recuperação das safras, o brasileiro precisa acompanhar de perto as tendências que envolvem a bebida mais consumida do país. Se você valoriza informações atuais e detalhadas como esta, inscreva-se em nossa newsletter para receber análises e novidades sobre o tema direto no seu e-mail.
O preço do café é influenciado principalmente pela oferta global, condições climáticas que afetam a safra, estoques internacionais, políticas de comércio exterior e tarifas de importação e exportação.
Chuvas irregulares e tempestades podem prejudicar o desenvolvimento das plantas e reduzir a quantidade e qualidade dos grãos colhidos, impactando diretamente a produção e os estoques globais.
O consumo diminuiu devido ao aumento dos preços, levando os consumidores a reduzirem a quantidade consumida ou preferirem versões mais acessíveis do café para economizar sem abrir mão da bebida.
Acordos internacionais, como negociações para redução de tarifas de exportação, podem influenciar o preço do café ao facilitar o comércio exterior, aliviar custos e potencialmente estabilizar preços no mercado nacional.
A expectativa é que os preços comecem a cair a partir de 2026, com uma melhora nas condições climáticas e a recomposição dos estoques internacionais.