A inadimplência no agronegócio brasileiro é um desafio crescente e complexo. Em 2024, foram registrados 1.272 pedidos de recuperação judicial no setor, mais que o dobro do ano anterior. Nos primeiros meses de 2025, essa tendência continuou, com um aumento adicional de 45%. Bancos e cooperativas de crédito estão alarmados com o crescimento nos atrasos de pagamento, o que levanta preocupações sobre a sustentabilidade do setor agrícola.
O que você vai ler neste artigo:
Quando o seguro rural falha, a dívida se acumula. O caso do Rio Grande do Sul ilustra bem essa situação: após severas perdas climáticas, o governo estadual teve que criar um grupo de trabalho para discutir medidas de socorro aos produtores endividados. A cobertura insuficiente do seguro rural significa que muitos produtores enfrentam dificuldades sem a devida proteção contra adversidades climáticas.
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Em 2024, apenas 15% da área plantada no Brasil estava protegida por algum tipo de seguro rural ou Proagro. Isso deixa 85% das terras cultivadas vulneráveis ao clima. No entanto, as seguradoras pagaram R$ 37 bilhões em indenizações entre 2003 e 2024, mostrando que o seguro pode ter um impacto positivo. Estados como Paraná, Rio Grande do Sul, São Paulo e Mato Grosso do Sul foram os mais indenizados, evidenciando a eficácia do seguro em regiões críticas.
Um dos fatores que contribuem para a inadimplência é a instabilidade do Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR), gerido pelo Ministério da Agricultura. Cortes orçamentários e bloqueios reduziram significativamente o valor disponível para o programa, afetando diretamente a área segurada. A cobertura caiu de 14 milhões de hectares em 2021 para menos de 3 milhões previstos para 2025, caso não haja reversão dos bloqueios.
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Em contraste, países como Espanha e Estados Unidos adotam abordagens preventivas robustas para o seguro rural. Na Espanha, o Seguro Agrícola Combinado é uma política pública consolidada, com gestão compartilhada entre Estado e setor privado. Nos EUA, o programa de seguro agrícola sob o Farm Bill cobre 90% das terras elegíveis, com um subsídio significativo que garante proteção e previsibilidade ao setor.
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O Brasil precisa reavaliar sua estratégia agrícola. Com sua vasta extensão territorial e papel crucial no abastecimento global, o país não pode depender de políticas frágeis e improvisadas. É fundamental estabelecer um pacto de longo prazo que assegure a previsibilidade e a capacidade de expansão orçamentária do PSR, uma gestão de riscos eficaz e a sustentabilidade do crédito rural. O seguro rural deve ser visto como um investimento em resiliência, não como um custo.
Sem um seguro rural robusto, o Brasil corre o risco de comprometer seu agronegócio em momentos críticos. A adoção de políticas mais estruturadas e preventivas pode garantir que o setor agrícola brasileiro continue a prosperar e a contribuir significativamente para a economia nacional.
Os principais fatores incluem a falta de seguro rural adequado, instabilidade econômica e cortes orçamentários no Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural.
A falta de seguro rural deixa os produtores vulneráveis a perdas climáticas e financeiras, aumentando o risco de inadimplência.
O governo tem criado grupos de trabalho para discutir medidas de socorro e está buscando reavaliar estratégias agrícolas para melhorar a cobertura de seguro.
Países como Espanha e EUA adotam políticas robustas de seguro agrícola, com gestão compartilhada e subsídios significativos que garantem proteção e previsibilidade.
O seguro rural é crucial para garantir a resiliência do setor agrícola, protegendo contra adversidades climáticas e garantindo a sustentabilidade financeira dos produtores.