Milhares de aposentados e pensionistas do INSS passaram a correr riscos graves de fraude devido a uma alteração realizada pelo Banco Central em 2021 quanto às normas do débito automático. Uma recente apuração jornalística revelou que a flexibilização dessas regras resultou em cobranças indevidas e abriu espaço para ações mal-intencionadas de empresas financeiras e até de bancos privados, afetando principalmente um público vulnerável: aposentados e pensionistas, muitos deles com baixa renda e pouca instrução sobre práticas bancárias.
Confira neste artigo os principais detalhes do caso, entenda a diferença entre os tipos de fraudes, saiba como bancos e empresas se beneficiaram das mudanças, e veja quais cuidados adotar se você ou alguém da sua família recebe benefícios do INSS.
O que você vai ler neste artigo:
A mudança nas regras aconteceu em 2021, quando o Banco Central decidiu dispensar os bancos da obrigatoriedade de obter autorização dos clientes para realizar débito automático em contas, desde que a cobrança viesse de outra financeira autorizada a atuar pelo próprio órgão. Na prática, essa alteração permitiu que seguradoras, clubes de benefícios e financeiras indicassem débitos recorrentes nas contas dos clientes sem uma checagem formal da autorização pessoal do titular.
Para registrar um débito automático, são exigidas informações como nome completo, CPF, banco, agência e número da conta. Como essas informações sensíveis podem estar acessíveis a diversas instituições, o risco de vazamento e uso desautorizado aumentou significativamente. Assim, aposentados do INSS – que por definição recebem seus pagamentos via depósito bancário – tornaram-se alvos preferenciais dessas práticas, especialmente por sua vulnerabilidade social e tecnológica.
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Além da brecha criada pela regulamentação, uma investigação mostrou que instituições bancárias privadas como Bradesco, Itaú e Santander realizaram débitos automáticos em contas de clientes sem autorização adequada, em benefício de empresas que sequer possuíam regulação do Banco Central para operar essas cobranças.
Outro ponto relevante do escândalo é que os bancos são remunerados a cada transação de débito automático, podendo cobrar valores de até R$ 11 por operação das empresas solicitantes. Segundo levantamento de ações judiciais contra clubes de seguro e financeiras (obtido pela investigação), o Bradesco lidera a lista de bancos mais processados por casos desse tipo, seguido de perto por Itaú e Santander.
Isso indica não apenas uma falha de controle, mas também um incentivo financeiro para que essas operações ocorram, muitas vezes sem o mínimo de escrutínio.
É importante distinguir o tipo de fraude investigada nos bancos da fraude direta feita no benefício pelo INSS. No caso dos bancos, o débito indevido ocorre no momento em que o dinheiro já está disponível na conta do destinatário, por meio de empresas que inscrevem cobranças não autorizadas. Já na fraude investigada pela Polícia Federal, o desconto acontece antes mesmo de o aposentado receber o dinheiro – ou seja, o próprio INSS desconta valores antes de efetuar o depósito ao beneficiário.
Boa parte das pessoas prejudicadas são aposentados e pensionistas, muitos com pouca familiaridade com tecnologias bancárias. Isso aumenta o risco de não identificação precoce das cobranças, tornando o grupo ainda mais suscetível a perdas financeiras e dificuldades para reivindicar reembolsos ou cancelar débitos indevidos.
Se você ou seus familiares recebem benefícios do INSS, é essencial monitorar com frequência o extrato bancário, conferir qualquer movimentação não reconhecida e, em caso de suspeita, entrar em contato imediatamente com seu banco e o INSS para registrar reclamação formal. Para orientações oficiais, acesse diretamente o site do INSS.
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Diante desse cenário, é fundamental que aposentados do INSS se mantenham atentos a qualquer movimentação bancária não autorizada e reforcem a vigilância quanto à exposição de seus dados pessoais. Notificar as autoridades e registrar boletim de ocorrência em caso de suspeita de fraude é um dos primeiros passos para se proteger e garantir seus direitos.
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Compare lançamentos com suas movimentações e atenção a débitos recorrentes que não reconhece.
Nome completo, CPF, banco, agência e número da conta.
Sim, ao comprovar a falta de autorização você pode solicitar estorno junto ao banco e exigir ressarcimento.
Acesse o site ou aplicativo do Banco Central, preencha o formulário de atendimento e anexe comprovantes.
O banco tem até 10 dias úteis para analisar e responder sua reclamação de débito automático.
Sim, informe o INSS após registrar boletim de ocorrência para resguardar seus direitos previdenciários.