O Banco do Brasil (BBAS3) surpreendeu negativamente investidores ao divulgar uma forte redução em seu lucro líquido ajustado no segundo trimestre de 2025, marcando um dos piores desempenhos do setor bancário neste ano. O banco registrou lucro de R$ 3,8 bilhões, queda de 60% em relação ao 2T24. Além de frustrar as estimativas de analistas, essa retração trouxe à tona desafios significativos quanto à qualidade de crédito e necessidade de provisão para inadimplência, principalmente no agronegócio.
Neste artigo, você confere os principais fatores por trás da expressiva queda do lucro, indicadores de rentabilidade como ROE, impactos da inadimplência, ajuste nas previsões do banco e um panorama atualizado das carteiras de crédito. Siga na leitura para entender os desafios à frente do BB e as perspectivas para o restante do ano.
O que você vai ler neste artigo:
O desempenho do Banco do Brasil no 2T25 ficou aquém até das projeções mais cautelosas do mercado. Analistas da LSEG esperavam lucro superior a R$ 5,2 bilhões, número que não se concretizou. O banco, que vinha de 16 trimestres consecutivos de crescimento anual, viu o resultado ser impactado por diversos fatores combinados: aumento da inadimplência, novas regras de provisão (CMN 4.966/2021) e perdas crescentes no agronegócio, setor sensível ao ciclo econômico e climático.
Em maio, o lucro mensal veio a apenas R$ 500 milhões conforme dados do Banco Central, desempenho muito inferior ao de abril (R$ 1,7 bi), reforçando a tendência negativa no trimestre. O saldo de provisões para calotes saltou 50% em relação ao ano anterior, exigindo R$ 94 bilhões em reservas e pressionando o resultado final.
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A rentabilidade do banco, medida pelo ROE (retorno sobre o patrimônio), registrou 8,4% no período. Trata-se do pior índice desde, ao menos, 2010, ficando aquém da média do consenso de mercado, que esperava 11%. Para comparação, os concorrentes Itaú, Santander e Bradesco apresentaram ROEs de 23%, 16% e 14,6%, respectivamente.
A deterioração ficou evidente também na qualidade das carteiras. A inadimplência acima de 90 dias cresceu para 4,21%, sendo o agronegócio o setor mais atingido (3,49%). Segundo o CFO Giovanne Tobias, as provisões nessa carteira ultrapassaram R$ 7 bi apenas no segundo trimestre. A inadimplência de pessoas físicas chegou a 5,59%, e de jurídicas a 4,18%, chamando atenção para a situação delicada de micro e pequenas empresas.
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Mesmo em cenário adverso, o BB conseguiu ampliar sua carteira de crédito total em 11% no comparativo anual, atingindo R$ 1,3 trilhão. O destaque ficou com empresas (+14,7%), grandes operações agro (+8%) e pessoa física (+8%), impulsionada pelo consignado privado recém-lançado. Assim, o banco reforça protagonismo no segmento de crédito consignado, com participação de mercado relevante.
No entanto, a margem financeira líquida caiu 48% sobre o ano anterior, situando-se em R$ 9 bi. Já as receitas com serviços tiveram queda modesta de 1% ao ano, mas cresceram 4,7% em relação ao trimestre anterior. As despesas administrativas acompanharam o avanço do crédito, crescendo 4,7% no período.
Diante do resultado fraco, o Banco do Brasil revisou suas projeções para o ano. O guidance de lucro líquido ajustado para 2025 caiu de até R$ 41 bilhões para R$ 25 bilhões. O banco se disse mais cauteloso na expansão do crédito agro, agora esperando crescimento de até 6%, e aposta em avanço mais expressivo no segmento pessoa física, onde margens tendem a ser maiores.
A tabela a seguir traz as principais revisões do BB para 2025:
| Indicador | Intervalo Anterior | Observado 1S25 | Intervalo Revisado |
|---|---|---|---|
| Carteira de Crédito – % | 5,5 a 9,5 | 10,3 | 3,0 a 6,0 |
| Pessoas Físicas – % | 7,0 a 11,0 | 8,0 | 7,0 a 10,0 |
| Empresas – % | 4,0 a 8,0 | 15,2 | 3,0 |
| Agronegócios – % | 5,0 a 9,0 | 8,0 | 3,0 a 6,0 |
| Lucro Líquido Ajustado – R$ bi | Em revisão | 11,2 | 21,0 a 25,0 |
Para os investidores, o cenário exige atenção redobrada, especialmente pela deterioração dos indicadores de crédito e aumento das despesas. O banco afirma estar investindo para corrigir as distorções e buscar uma trajetória de recuperação nos próximos trimestres.
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O fraco desempenho do Banco do Brasil em 2025 sinaliza um ano de ajustes estruturais, marcado por aumento na inadimplência, menores lucros e forte necessidade de provisão. Espera-se que as medidas adotadas, com maior seletividade ao crédito e foco em segmentos mais rentáveis, tragam melhoras graduais nos próximos períodos.
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A queda de lucro tende a aumentar a percepção de risco, podendo levar investidores a reavaliar o valuation das ações e pressionar o preço no curto prazo.
Novas regras de provisão (CMN 4.966/2021), crescimento da inadimplência no agronegócio e em micro e pequenas empresas forçaram maiores reservas contra calotes.
O agronegócio é sensível a variações climáticas e de preços de commodities, o que elevou o risco de calotes e exigiu provisões adicionais.
O ROE mostra quanto retorno o banco gera sobre seu patrimônio. O índice de 8,4% no 2T25, abaixo da média histórica e de concorrentes, sinaliza baixa eficiência.
O BB expandiu carteiras de empresas, agronegócio e pessoa física, especialmente consignado, mas precisou destinar maior parte desse volume a provisões.
Riscos incluem nova desaceleração no agronegócio, inadimplência elevada, margens financeiras comprimidas e guidance de lucro reduzido para até R$ 25 bi.