O café exportado do Brasil para os Estados Unidos não será poupado das novas tarifas impostas pelo governo Trump. Segundo informações de bastidores na Casa Branca, a justificativa oficial americana é que há fornecedores alternativos capazes de suprir parte da demanda do país. O anúncio, esperado por representantes do agronegócio brasileiro, frustraram as negociações das últimas semanas e trouxeram incertezas ao setor cafeeiro, que já responde por cerca de 20% a 30% do café consumido nos EUA, a depender da safra.
No texto a seguir, detalhamos os impactos dessa medida para o Brasil, como a decisão foi construída nos bastidores, o movimento do mercado internacional e as alternativas buscadas por empresas e pelo governo brasileiro para tentar reverter o cenário. Continue lendo para entender o futuro das exportações nacionais diante desse novo desafio comercial.
O que você vai ler neste artigo:
A expectativa de que o café brasileiro pudesse escapar da sobretaxa nasceu de declarações prévias do secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick, que sinalizavam possível isenção para produtos não fabricados em solo americano. No entanto, a lista final publicada pela Casa Branca excluiu o café das exceções – quase 700 itens receberam tratamento diferenciado, mas o café ficou de fora.
Em Brasília, a avaliação é de que as tarifas têm como alvo não apenas produtos, mas também sua origem. A aplicação da tarifa de 50% sobre o café brasileiro retira competitividade diante de outros fornecedores, que seguem com taxas menores ou até mesmo isenção. O caso da Colômbia se destaca: o país, segundo maior exportador para os americanos, paga apenas uma alíquota de 10%.
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Para grandes marcas americanas, substituir o café brasileiro não é uma tarefa simples. Empresas estudam fornecedores como Vietnã e México, mas enfrentam questões de qualidade e preço. Os grãos brasileiros são reconhecidos pela excelência, fator que não pode ser replicado de maneira imediata por outros países. Um movimento brusco para outras origens pode elevar os preços no mercado internacional, encarecendo o produto no bolso do consumidor americano.
Atualmente, o Brasil lidera o ranking como maior país exportador individual de café para os EUA. Dados do Departamento de Estatísticas do Trabalho americano apontam que os preços já subiram: em maio, meio quilo de café torrado moído foi vendido a US$ 7,93, frente a US$ 5,99 no mesmo período do ano anterior. Isso pode ser apenas o começo caso as restrições se mantenham.
De acordo com Ryan Cummings, economista da Universidade Stanford, o impacto dessas tarifas poderá acrescentar mais 25 centavos de dólar ao preço final nas prateleiras já nos próximos meses. O cenário sugere que a restrição não só dificulta a vida dos exportadores brasileiros, mas afeta diretamente o consumidor americano, que sente no bolso o resultado das disputas comerciais.
Frente à decisão americana, o setor privado e o governo brasileiro têm apostado em múltiplas frentes para tentar obter exceções para o café. Escritórios de lobby nos Estados Unidos foram contratados para argumentar junto a autoridades americanas sobre a importância do café brasileiro para o abastecimento do próprio país. Grupos de grandes empresas, como a *Consumer Brands Association* (CBA), apoiam a pressão para garantir a oferta de insumos essenciais.
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Outros produtos, a exemplo da polpa de eucalipto e tipos de madeira, conseguiram isenção das tarifas graças à mobilização de associações do setor. No entanto, até o momento, o café segue sem uma solução satisfatória. Especialistas apontam que, caso os americanos mantenham o posicionamento, o Brasil terá de negociar concessões bilaterais, o que pode envolver outras áreas do comércio entre os dois países.
Diante da instabilidade do cenário internacional, o mercado cafeeiro brasileiro precisa redobrar esforços para manter sua posição e competitividade nos próximos meses. Se o conteúdo foi útil para você acompanhar as notícias do agronegócio e decisões políticas que afetam o setor, inscreva-se em nossa newsletter para receber análises exclusivas e informações atualizadas diretamente no seu e-mail.
A tarifa imposta pelo governo dos EUA sobre o café brasileiro é de 50% sobre o valor das importações.
O café não foi incluído porque a Casa Branca considerou que existem fornecedores alternativos capazes de suprir parte da demanda.
Especialistas estimam que a tarifa pode adicionar até 25 centavos de dólar ao preço final de meio quilo de café torrado moído.
O governo e empresas brasileiras contrataram escritórios de lobby nos EUA e negociam concessões bilaterais para buscar isenção ou redução da tarifa.
Vietnã e México são apontados como potenciais fornecedores alternativos, embora enfrentem desafios de qualidade e preço.
Se mantida, a tarifa pode reduzir participação de mercado, forçar diversificação de clientes e exigir novos acordos comerciais.