O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) intensificou os esforços para montar uma coalizão internacional de países progressistas, numa resposta à escalada de tensão com o governo dos Estados Unidos, liderado novamente por Donald Trump. Em encontro recente realizado em Santiago, no Chile, líderes da Espanha, Uruguai, Colômbia e Chile uniram forças ao Brasil para lançar diretrizes que incluem desde cooperação tributária até ações conjuntas em defesa da democracia.
O movimento de Lula busca fortalecer o bloco em meio a desafios internos de popularidade e pressões externas vinda especialmente dos EUA, que anunciaram recentemente novas medidas tarifárias afetando o comércio global. Especialistas ouvidos sobre o tema apontam que, embora o grupo ainda tenha impacto diplomático limitado, a iniciativa tem potencial para ampliar o debate internacional sobre regulação de redes sociais e combate ao extremismo.
Confira a seguir os detalhes da articulação e os próximos passos da coalizão progressista.
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A cúpula realizada em Santiago reuniu Lula da Silva, Pedro Sánchez (Espanha), Gabriel Boric (Chile), Gustavo Petro (Colômbia) e Yamandú Orsi (Uruguai). O foco principal dos debates foi criar um front comum diante da ascensão de governos de direita, principalmente nos Estados Unidos. O encontro, embora sem menção direta a Trump, repercutiu críticas à chamada extrema-direita, acusada de utilizar o comércio e as redes sociais como instrumentos de chantagem política.
No documento final, os países defenderam uma tributação mais justa e transparência internacional, colocando em pauta temas sensíveis como a regulação das plataformas digitais e pactos fiscais. A estratégia central, segundo fontes diplomáticas, é criar apoio doméstico diante de crises de confiança e instabilidade que afetam a governabilidade dos chefes de Estado envolvidos.
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Cientistas políticos analisam que a articulação tem maior peso simbólico do que real no cenário geopolítico. O professor Elton Gomes, da Universidade Federal do Piauí, destaca que a coalizão é uma ferramenta para gerar narrativas internas que fortaleçam a base dos governos progressistas. Países como México e Canadá dificilmente aderirão com força à iniciativa, pois dependem profundamente das relações econômicas e diplomáticas com Washington.
Apesar disso, no Brasil, a iniciativa serve como válvula de escape para o governo Lula, que enfrenta desgaste nas tratativas com os EUA após operações que miraram o ex-presidente Jair Bolsonaro. O movimento estratégico de Lula busca manter sua militância ativa e consolidar o apoio eleitoral num momento delicado para sua gestão.
Pedro Sánchez, pressionado por escândalos de corrupção e ameaça do crescimento da direita no Parlamento espanhol, aposta nessa frente internacional para recuperar protagonismo junto ao eleitorado espanhol. Já no Chile, Boric tenta equilibrar um cenário onde a sucessora não engrena nas pesquisas, enquanto a oposição de direita ganha terreno para as próximas eleições.
O grupo espera incorporar mais sete países até setembro, embora haja dúvidas sobre o real engajamento dos novos membros. Mesmo entre possíveis integrantes como Dinamarca, México e Canadá, o pragmatismo econômico e a necessidade de manter boas relações com Washington reduzem o poder de negociação do grupo frente aos grandes temas globais.
Além disso, a ausência de alinhamento do bloco dos Brics à iniciativa encabeçada por Lula evidencia limitações diplomáticas. Potências como China, Rússia e Índia preferem manter relações pragmáticas e dialogar diretamente com os Estados Unidos, de olho no equilíbrio militar, econômico e tecnológico internacional.
Para os analistas, a coalizão serve principalmente como palco para projeção de imagem, mas não altera o xadrez global. “A reunião no Chile trouxe impacto midiático, mas não muda substancialmente o cenário internacional. O objetivo central é fortalecer o discurso político doméstico de seus signatários”, aponta o cientista político Elton Gomes.
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O esforço liderado por Lula para fortalecer a coalizão progressista deixa claro que, diante da postura agressiva de Trump e das incertezas internacionais, os países buscam soluções que garantam governabilidade e apoio popular. A ampliação do grupo ainda é um desafio, já que interesses econômicos regionais e o pragmatismo político limitam a efetividade diplomática do movimento.
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Até o momento, participam Brasil, Espanha, Chile, Colômbia e Uruguai, com negociações em andamento para incorporar mais membros.
O grupo propõe diretrizes de transparência, troca de informações sobre conteúdo extremista e criação de padrões comuns de fiscalização digital.
Porque, apesar do apelo diplomático, o bloco reúne poucos países, sem poder de veto em fóruns globais, e depende de convicções políticas internas.
Em ambos os países, líderes enfrentam desgaste político e buscam na aliança internacional reforço de imagem e apoio popular.
A coalizão pretende convidar até sete novos membros até setembro, priorizando países com afinidade progressista e buscando acordos bilaterais prévios.
Enquanto os BRICS focam em cooperação econômica e financeira, a aliança progressista destaca defesa da democracia, pautas fiscais e regulação digital.