A recente decisão do Supremo Tribunal Federal autorizando o governo federal a retirar despesas do ressarcimento a aposentados e pensionistas do INSS do cálculo da meta fiscal gerou forte reação no mercado. Para economistas, o episódio representa uma ameaça à credibilidade do próprio arcabouço fiscal, que tenta disciplinar as contas públicas brasileiras.
Na prática, o uso de créditos extraordinários para pagar despesas fora do orçamento habitual é visto por parte dos analistas como um sinal de fragilidade das regras, levantando preocupações sobre a sustentabilidade das políticas fiscais e o aumento da dívida pública. Entenda, a seguir, os impactos dessa medida e quais são as perspectivas para 2025.
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Especialistas alertam que abrir exceções ao arcabouço fiscal pode fragilizar ainda mais o controle sobre despesas do governo, sobretudo num cenário de pressão por novos gastos. Com a aprovação do STF, o ressarcimento bilionário será realizado por meio de crédito extraordinário, sem afetar oficialmente o resultado primário – mecanismo defendido, porém, apenas para situações de calamidade ou emergência imprevisível.
O problema, segundo a economista Zeina Latif, é que o governo já utiliza a margem de tolerância do arcabouço para contemplar gastos correntes e eventuais, absorvendo qualquer folga orçamentária. Isso faz com que a regra fiscal perca sua eficiência e sua função disciplinadora, elevando o risco de descontrole das contas públicas.
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Outro ponto crítico destacado por economistas e gestores de fundos é o precedente aberto pelo caso do INSS: a possibilidade de outras despesas judiciais serem contabilizadas fora dos limites do arcabouço no futuro. Para Beto Saadia, diretor de investimentos da Nomos, esse tipo de exceção pode minar ainda mais a previsibilidade fiscal e tornar o controle de gastos públicos cada vez mais difícil.
Segundo cálculos apresentados no Senado e órgãos independentes, a dívida bruta do governo geral — que inclui o INSS — já beira 76,2% do PIB brasileiro, podendo ultrapassar os 80% em 2025 se medidas restritivas não forem tomadas. Economistas como Tony Volpon e Sergio Vale ressaltam que, ainda que o volume do gasto extra possa parecer modesto, sua recorrência impacta negativamente a percepção de risco e, principalmente, a trajetória da dívida pública.
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O arcabouço fiscal, criado para dar estabilidade ao orçamento, estipula que as despesas da União cresçam, no máximo, 70% da variação real da receita do ano anterior. No entanto, com quase 90% do orçamento comprometido com despesas obrigatórias — como salários, Previdência, saúde e educação —, o espaço para acomodar gastos excepcionais é cada vez menor. Isso obriga o governo a lançar mão de créditos extraordinários sempre que surge um imprevisto, denunciando uma falta de flexibilidade nas contas públicas.
Para Murilo Viana, especialista em contas públicas, o próprio Executivo reconhece as dificuldades para conter gastos e cumprir a regra do arcabouço, recorrendo ao STF como alternativa de viabilizar pagamentos de decisões judiciais sem ferir a meta fiscal.
Analistas são unânimes em afirmar que a recorrente exclusão de despesas do cálculo da meta, por decisões judiciais ou políticas, enfraquece a confiança de investidores e do mercado no compromisso do governo com a responsabilidade fiscal. Além disso, esse tipo de manobra pode complicar negociações futuras e elevar ainda mais os custos da dívida brasileira.
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Caso tenha achado relevante este panorama sobre as contas públicas e o impacto da retirada do INSS da meta fiscal em 2025, continue acompanhando nossos conteúdos. O tema segue central para a saúde financeira do país e continuará sendo acompanhado de perto por especialistas, investidores e pela sociedade.
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Ao autorizar a exclusão de despesas do INSS via decisão judicial, o STF define exceções que impactam o cumprimento das regras fiscais e a aplicação da meta.
O crédito extraordinário permite gastos fora do orçamento regular, evitando impacto no resultado primário, mas reduz a transparência e o controle fiscal.
A medida pode gerar incertezas, elevar o risco-Brasil e diminuir a confiança no compromisso do governo com a responsabilidade fiscal.
Esse teto controla o crescimento das despesas obrigatórias, garantindo sustentabilidade e disciplina no uso dos recursos públicos.
A margem é usada para acomodar gastos correntes e imprevistos, mas seu uso excessivo pode enfraquecer as regras fiscais.
Sem ajustes, a dívida pode ultrapassar 80% do PIB, aumentando custos de financiamento e riscos de descontrole fiscal.