O fundo imobiliário Tordesilhas EI (TORD11) recentemente esteve sob os holofotes devido à venda de imóveis a preços surpreendentemente baixos. Este tema chamou a atenção após a B3 solicitar esclarecimentos sobre o caso, principalmente após a divulgação de uma reportagem pelo E-Investidor. A venda dos empreendimentos Resort do Lago e Kawana Residence foi o ponto de partida para uma série de questionamentos dos cotistas.
O que você vai ler neste artigo:
Desde o dia 2 de setembro, quando a venda foi inicialmente comunicada ao mercado, os cotistas do Tordesilhas EI cobravam explicações. Segundo um fato relevante divulgado, os empreendimentos em questão apresentavam vendas de cotas de multipropriedade abaixo do esperado. Além disso, demandavam recursos significativos para a manutenção das obras ao longo de 2023.
Os imóveis eram alvo de processos judiciais que resultaram em uma despesa adicional de R$ 105,7 milhões. Essas ações foram movidas por ex-promotores de vendas das cotas de multipropriedade e clientes que buscavam a rescisão dos contratos e restituição dos valores pagos. Diante deste cenário, o TORD11 decidiu vender o Resort Lago por R$ 4,6 milhões e o Kawana Residence por R$ 5,4 milhões.
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Os valores de venda corresponderam a menos de 15% do custo inicial do investimento. O pagamento foi facilitado em 24 parcelas, com uma entrada à vista de 10% do valor total. A Vórtex, administradora do fundo, destacou que as condições de pagamento foram essenciais para que o comprador prosseguisse com o negócio.
O documento esclareceu que, devido à natureza do investimento, o fundo estava na posição de sócio dos empreendimentos, não havendo garantias a serem executadas. Apesar dos esclarecimentos, o Tordesilhas EI não explicou o motivo da comunicação tardia aos cotistas sobre a venda dos imóveis.
Outra preocupação dos investidores foi o atraso de nove meses na divulgação do informe mensal de dezembro de 2023, que revelou uma perda de R$ 215,41 milhões no patrimônio líquido do fundo. Desde o início de setembro, cotistas cobravam informações sobre as condições de venda dos ativos e os atrasos na publicação dos informes.
No relatório gerencial divulgado, os gestores mencionaram que os valores a receber estão sujeitos a ajustes positivos via condições de Earn-Out, que podem aumentar o valor total em até 40%, além de correções mensais pela inflação.
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A ausência de respostas claras obrigou os investidores a recorrer à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e à B3. Uma das reclamações resultou na abertura de um processo sobre o Tordesilhas EI na Superintendência de Securitização e Agronegócio, responsável pela supervisão dos fundos imobiliários da CVM.
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Os imóveis foram vendidos devido a vendas de cotas de multipropriedade abaixo do esperado e a necessidade de recursos significativos para manutenção, além de processos judiciais que geraram despesas adicionais.
A venda resultou em valores que correspondiam a menos de 15% do custo inicial do investimento, gerando uma perda significativa no patrimônio líquido do fundo.
São ajustes positivos que podem aumentar o valor total a receber em até 40%, além de correções mensais pela inflação.
Investidores questionaram a falta de clareza e comunicaram-se com a CVM e a B3, resultando na abertura de um processo de investigação.
Houve um atraso de nove meses na divulgação, revelando uma perda significativa no patrimônio líquido do fundo.